sábado, setembro 22, 2012

o privado não se reparte...(398)


bateu-me à porta. literalmente. bem parecido, educadíssimo, com uma conversa impressionante. perguntei se já tinha recorrido às instituições para ter alguma ajuda. informei-o sobre o banco alimentar e como recorrer a ele. perguntei se já tinha recorrido à segurança social. a resposta foi, sim mas, ainda não tive resposta e este mecanismos não funcionam. perguntei se tinha fome. disse, comer ainda consigo. perguntei onde dormia, respondeu, nos bombeiros, quando posso, senão, na rua. perguntei a idade, respondeu 30 anos. perguntei se já tinha tentado trabalhar, respondeu, há ano e meio fui dispensado da companhia nacional de bailado. fiz muitos trabalhos, com muito bons artistas e encenadores, mas com os cortes na cultura, estou assim. sabe o que é, uma pessoa como eu, estar aqui a pedir? não, não sei. pensei mas não o disse. foi um golpe emocional. não consegui não o ajudar. as circunstâncias da vida podem mudar num ápice. perguntei se estava disponível para trabalhar no que fosse, sim, respondeu. se tinha cadastro, vícios, doenças, não, respondeu. se tinha acesso a e-mail, sim, às vezes vou a uma biblioteca para aceder à net. boa, disse eu. tem e-mail, perguntei. sim, respondeu. então dê-mo. vou enviar-lhe um e-mail e responde-me com o seu cv. o que eu puder fazer, faço. obrigada, respondeu.
fui directa ao computador para fazer uma breve pesquisa sobre os seus trabalhos. e não é que aparecem imensas coisas sobre ele? enviei o e-mail. aguardo resposta. já mexi uns cordelinhos caso a receba. a ver se consigo contribuir com o click na vida dele. sim, porque um artista destes, que já trabalhou com tanta gente conhecida e reconhecida, andar a pedir esmola, é coisa que me fez "bater com o nariz na porta". e quantos não existirão assim? com outras profissões, com outras histórias. uma merda, é o que é. se alguém desse lado souber de alguma oportunidade, por favor, informe-me.

8 comentários:

Pedro Ferreira disse...

Portugal está-se a tornar uma imensa fábrica de talentos desperdiçados. Como tu dizes..."uma merda, é o que é".

Este Blogue precisa de um nome disse...

Porra... passei-me agora!

aNaMartins disse...

e agora fiquei :O ao ponto que chegamos. :/ a vida é mesmo díficil e está díficil. Infelizmente não poderei ajudar muito.
força e ainda bem que há pessoas como tu!

Mamã de Peep-Toe disse...

Que tristeza!Mesmo!!E quantos não estarão assim,sem coragem de pedir ajuda?

Sara * disse...

Há pouco soube que estão a precisar de actores para a peça Aladino, o Musical no Gelo. Pode ser que também precisem de alguém na área da dança, não custa tentar.

"Se achas que preenches os requisitos enumerados abaixo para cada uma destas personagens, inscreve-te!
Basta enviar um email com candidatura+foto para:

franciscoroldao@yellowstarcompany.com

A sessão de casting será no dia 1 de Outubro no Rivoli Teatro Municipal, no Porto (inscrições até ao dia 30 de Setembro).
O júri é composto por Paulo Sousa Costa (co-produtor), Miguel Coelho (encenador) e Luciana Abreu (actriz principal).

PERSONAGENS:

SULTÃO – Raça caucaseana, homem austero e rígido, é o pai de Jasmine (tem de saber patinar). Idade pretendida: 35-55 anos.

MÁGICO – Aspira ser Sultão, é jovem e ambicioso (tem de saber fazer truques de magia, não precisa de patinar). Idade pretendida: 18-30 anos.

GUARDAS – Jovens, atléticos, fazem parte da guarda do Sultão (não têm de patinar)."

Teresa disse...

Obrigada a todos!

Sara, já encaminhei a tua informação.

Beijo a TODOS!

'Ferreira disse...

Estão a precisar de bailarinos para um musical infantil em Lisboa no Teatro Maria Vitória.

http://coffeepaste.blogspot.pt/2012/09/casting-para-musical-infantil-no-teatro.html - está aqui a informação. Não sei se ajuda, mas é o que sei...

:)

Guinhas disse...

Que impressão...mas é um relato de algo que começa a acontecer imenso em Portugal. Realmente considero me felizarda por ter trabalho, minha familia tb. Não me posso, de todo, queixar mas aflige-me imenso...imenso. Acho fantástico teres ajudado e temos de fazer o que gostávamos, realmente, que também fizessem por nós.
Nunca sabemos o dia de amanhã.